Você acredita na viagem do homem à lua? Seja verdade ou não para você, o fato é que essa história já alcançou seus 60 anos de existência, e trata-se de um grande avanço nas pesquisas espaciais. Se a gente sabe hoje que a lua tem toda uma rede de cavernas em seu interior, ou que houve água em Marte, seu passo desbravador foi aqui. E o filme que vamos falar hoje aqui ilustra bem os detalhes dessa missão que parecia impossível. Se ainda não viu O Primeiro Homem, recomendo e muito!

Os filmes que tratam da viagem do homem ao espaço de uma maneira mais hipotética tem ganhado o imaginário do público novamente nesta última década, agora que a tecnologia tornou certas possibilidades mais tangíveis em comparação com a fantasia louca de anos atrás. Exemplos como Gravidade, Perdido em Marte e Interstellar são alguns exemplos que exploram algumas dessas possibilidades que as viagens ao espaço podem oferecer em poucas décadas.

O Primeiro Homem vai para outro caminho. Se você curtiu algum dos filmes acima, e se sentiu um pouco incomodado com o ambiente claustrofóbico, fique tranquilo: você não vai sentir muito isso em aqui. Mais do que retratar a fatídica viagem ao nosso satélite, ele mostra todos os aspectos que vão além do romantismo dessa conquista.

O Primeiro Homem: quando você entende que nada são flores

O Primeiro Homem é uma obra bem humana, saindo um pouco da glamorização da ficção científica

Se hoje em dia ainda é um pouco difícil de imaginar como é a vida no espaço de fato, há mais de 50 anos atrás havia um desejo forte, e por vários motivos que não cabe muito falar aqui, não agora. O Primeiro Homem passa por essa questão, mas sem o romantismo que a viagem à lua dá a entender. Focado na vida de Neil Armstrong, o nome mais conhecido da missão, vemos tudo através de seus olhos, literal e literariamente.

Armstrong foi um cara com tantos problemas, desejos e dúvidas quanto a gente. E diferente de muitas obras cinematográficas que criam essa imagem lendária ao redor da personagem, aqui quem dá esses contornos somos nós, à medida que vamos tentando decifrar suas emoções em momentos chave da trama. E vai por mim, jovem, isso é tão complicado quanto imaginar a tensão de ficar num traje espacial rumo ao vácuo. Por falar nisso…

O Silêncio e a realidade

O Primeiro Homemmostra camadas profundas de Neil Armstrong

O silêncio é algo primordial quando se trata de tramas relacionadas a exploração espacial. Pode ser legal ouvir aqueles barulhinhos de tiros e disparos lasers da ficção científica, mas na real o espaço é bem… vazio, incluindo o som. O silêncio é valorizado tanto como uma característica fidedigna – no espaço, você só escuta sua voz dentro do traje, e olhe lá -, como nos momentos em que a reflexão se faz presente.

Até aqui, você já deve estar se perguntando se o filme não tem aqueles tons mais “heróicos” que se espera de uma pessoa que entrou para a história com um feito até hoje bem difícil de refazer, não é? E é justamente nisso que O Primeiro Homem acerta.

Tem muitas biografias cinematográficas que criam uma imagem meio mitológica em cima de seus protagonistas, atingindo um patamar que é difícil para gente do dia a dia como eu e você alcançarmos com a mesma importância. E nem vem, que é assim mesmo, jovem: uma frase de efeito aqui, uns momentos de tensão ali para mostrar o desafio, e o grande triunfo.

Não é isso que vemos aqui, não de uma forma direta ao menos. Neil Armstrong passa por umas merdas que não são diferentes de pontos que eventualmente vamos passar quando perseguimos um sonho, seja ele grandioso ou não. Fazemos sacrifícios, podemos perder coisas e pessoas que amamos muito, e se bobear até nossa identidade pode ir pelo ralo,

E quando percebemos essas mudanças e perdas ao longo do grande momento da chega à lua, fica claro que esse ponto – do pequeno passo para o homem, o grande para a humanidade -, se torna até bem menor do que deveria ser. Chegamos lá, mas a troco de quê?

Vale a pena?

O Primeiro Homem é uma obra digna de Óscar. Será que vai?

O filme, sem dúvidas, jovem. Além desses detalhes passados até aqui, a direção de Damien Chazelle te coloca bem não apenas na pele de Neil Armstrong, como em todo o contexto histórico e cultural da época, inclusive na parte técnica. Em dados momentos, parece que o filme foi filmado em Super-8, que era um material comum de sua época.

E tudo que falamos sobre a personagem principal não seria possível sem seu intérprete. O ora barbudo, ora não, Ryan Gosling entrega uma atuação acima da média até mesmo para seus trabalhos. A personagem te desafia o tempo inteiro a conhecê-lo, se possível tentar entendê-lo em momentos cruciais de sua vida e deste desafio.

Chega ser angustiante em vários momentos como sua determinação, somada a um medo na igual proporção, é retratada de maneiras tão próximas da gente. Não tem frases de efeito, nem mesmo expressões faciais que entreguem seu estado de espírito, principalmente quando está com sua esposa Janet. É para deixar o espectador confuso mesmo, o que é legal para uma segunda ou terceira leitura do filme.

Fica uma lição importante ao assistir O Primeiro Homem, jovem. Somos capazes de fazer coisas incríveis, isso é bem claro em tantos exemplos ao longo da história mundial, e em nossa intimidade temos esses momentos em que talvez ninguém além de nós mesmos encaramos e superamos. Cabe saber quais são os sacrifícios que está disposto a fazer, e ter a ombridade de seguir com eles até o fim.

Gostou do filme, jovem? O que achou dele? E o que achou da nossa análise? Foi um filme realmente bem intenso, que vale a reflexão. Deixe nos comentários o que achou, e vamos trocando uma ideia. Aqui pode estar um ótimo candidato ao Óscar Até a próxima!



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