Se você é um gamer das antigas, ou de pelo menos uns 10 anos, pode não estar muito surpreso com o mundo atual. Mas os eSports, ou esportes eletrônicos, tem crescido de uma maneira absurda no Brasil, e no mundo inteiro já é bem visto em vários países. Mas qual é a dessa “competição de joguinho”? Calma jovem, eu sei que você ficou irritado com essa, foi brincadeira.

Os eSports ganharam uma boa relevância de uns anos para cá graças ao crescimento gradativo das plataformas de streaming como Twitch, da fama que determinados jogos conquistaram ao longo do tempo, e mesmo de certos fatores culturais. Para você entender um pouco melhor como se formou essa cultura, em que cada gênero tem o seu histórico, vamos explicar cada um em separado.

E seja você um barbudo gamer ou não, vai ser fácil se relacionar com pelo menos um deles.

Como surgiram os eSports?

Os eSports já estão por aí pelo menos 15 anos

Se formos a fundo mesmo na história das competições eletrônicas, teríamos que voltar lá na virada da década dos anos 80 para os anos 90, em que houveram os primeiros campeonatos nos Estados Unidos do Tetris. Sim, Tetris, e até hoje existem algumas competições profissionais por aí. Até Space Invaders teve suas competições por aí.

Mas naquela época não havia sequer uma possibilidade de considerar o tamanho que tais competições chegariam hoje. A primeira empresa que investiu em um campeonato com uma estrutura parecida aos moldes atuais foi a Nintendo em 1990 com a Nintendo National Championships, competição que reunia vários jogadores para disputarem uma série de desafios envolvendo seus games da era NES.

Os primeiros sinais de que competições comparáveis aos esportes tradicionais vieram apenas a partir da metade dos anos 2000, e um dos países pioneiros foi a Coreia do Sul. Lá, já existia uma boa comunidade em jogos de RTS (Real Time Strategy), principalmente Starcraft, e as lan houses eram tão cheias e competitivas que as competições alcançaram nível nacional.

Não é por acaso que hoje existe a KeSPA, a Associação de eSport coreana, administrada pelo Ministério da Cultura de lá para difundir os esportes eletrônicos como um marco cultural. Foda, né?

No final da década de 2000, o streaming começou gradativamente a se tornar uma opção mais acessível, e atualmente é a principal plataforma para se acompanhar os seus jogos favoritos. O Twitch é a mais famosa, mas existem opções como o Youtube Gaming, além dos canais que transmitem tais competições online.

A história te soou muito genérica? Fica tranquilo que cada um dos jogos chegou a esse patamar de esporte eletrônico de uma forma bem única. Mas antes, vamos a uma questão que ainda deve martelar a cabeça de alguns barbudos que não estavam tão por dentro dessa história.

eSports são aceitos no Brasil?

eSports recebem cada vez mais respeito e espaço no Brasil

Oficialmente, o Brasil não tem um órgão que regule as competições de esportes eletrônicos. Diferente do Poker, que foi reconhecido como esporte faz alguns anos e tem uma associação que regula as competições no território nacional, cada game hoje com uma competitivo depende do apoio tanto da comunidade como das empresas que produzem os games. O resultado é uma disparidade quanto ao tamanho dos eventos.

Outro ponto é a própria aceitação do público. Dado o histórico que os games tem no Brasil nos noticiários (coisa que não vou te incomodar falando aqui, fica tranquilo), as competições em games como League of Legends e Counter Strike tem sido uma novidade ainda vista com ceticismo e desconfiança pelos não familiarizados, e altamente incentivados por quem cresceu de alguma forma envolvido com os games. É só ver os números que os games citados alcançam, por exemplo.

Se você gostou da ideia de assistir torneios de alto nível de alguns games, e achou uma alternativa para aquele seu domingo sem futebol ou rugby, vamos te dar algumas boas sugestões.

eSports para você acompanhar

Para tornar essa lista a mais versátil possível, não vamos listar os games propriamente ditos, mas sim os gêneros com maior destaque nas competições, assim você pode escolher a opção que mais lhe chamar atenção, certo? Vamos a eles.

MOBA

Atualmente o MOBA é o gênero com mais fãs, e Daniel Revolta é um de seus maiores representantes

Tem muita gente que associa eSports diretamente a esse gênero. Os Multiplayer Online Battle Arena surgiram de uma forma curiosa. O gênero surgiu a partir do RTS Warcraft III, por um mod que alterava o jogo a controlar apenas os campeões do game, com objetivos diferentes da proposta original.

Anos mais tarde, os responsáveis por esse mod foram contratados pela Valve, que lançariam pouco tempo depois o DOTA 2, com a mesma proposta do mod, porém completamente desvencilhado do game da Blizzard. Mas os ares competitivos, e até fanáticos, vieram com League of Legends, atualmente o esport mais popular no Brasil.


Competições de MOBA se resumem basicamente a defesa de território, com os times controlando heróis que se completam as funções uns dos outros para a vitória. Em uma analogia simples, cada um dos heróis (healer, tanker, DPS, etc.) possuem funções parecidas com as dos jogadores de futebol ou basquete, sempre agindo de forma dinâmica.

League of Legends, ou Lol, é atualmente o mais visado em termos de público e fama. Equipes como INTZ, Pain Gaming e CNB já tem seus torcedores fervorosos, assim como jogadores relativamente famosos. Daniel Revolta, da INTZ, é um deles, com a barba proeminente de um jovem adulto.

FPS

A SK Gaming é o representante brasileiro dos eSports no FPS

Se os MOBAs tem uma origem um tanto obscura e aos poucos cresceram de forma incontrolável, os jogos de Tiro em Primeira Pessoa com certeza são o mais próximo daqueles barbudos que passaram boas noites virando na lan com os amigos aquelas partidas em equipe.

Na verdade, Counter Strike e Rainbow Six foram os pioneiros nas competições relacionadas a esse gênero. CS 1.6, Battlefield, Call of Duty e tantos outros formaram sua base de fãs nessas lan houses da década passada, e as equipes tanto masculinas como femininas do game ganham seu destaque ao redor do planeta.

Zigueira é um dos jogadores mais famosos no Rainbow Six, uma das potências do eSports

Entre os atletas virtuais de destaque nesse gênero, estão Leo “Zigueira” Duarte, do time Black Dragons e jogador de Rainbow Six Siege; e Gabriel “Fallen” Toledo, que disputa nos Estados Unidos pela SK Gaming no Counter Strike: Global Offensive, ambos homens que respeitam suas raízes barbudas das longas noites em frente ao PC.

Ah, e é bom salientar um detalhe: a Black Dragons está tão forte no Rainbow Six Siege que venceu outra gigante dos torneios de FPS e MOBa, a PaIN Gaming, e vão disputar a Pro League do game na Polônia, com direito a pedido de casamento do Zigueira para namorada e tudo. Foda, né?

Outros games de destaque entre os FPS competitivos estão Crossfire, com campeonatos conhecidos pelo hype na Europa; Team Fortress 2, outro medalhão da Valve; e o recente Overwatch, cujo primeiro mundial está para ser organizado pela Blizzard.

Luta

EVO é o representante dos jogos de luta nos eSports

Aqui está uma ironia curiosa. Os games de luta vieram antes de todos os gêneros dessa lista, mas é um caçula querendo ser notado quando se trata de eSports. Recentemente, Street Fighter V veio com a proposta de ser a vanguarda do gênero nesse empreendimento, aproveitando a fama do competitivo gerado no game anterior, o Ultra Street Figher IV.

E apesar dos problemas do lançamento, fruto de algumas decisões equivocadas da Capcom, o game como eSport tem conquistado cada vez mais espaço aos olhos do espectador.

Em 2016, um dos pontos mais altos foi a transmissão do mundial EVO pela ESPN tanto dos EUA como aqui no Brasil, e este ano o Esporte Interativo tem feito a cobertura da Eleague, um Invational reunindo diversos jogadores dos rankings mundiais da Capcom, incluindo o brasileiro Thomas “Brolynho” Proença, considerado um dos mais fortes no Brasil e América Latina.


“…não conte para ningúem…mas tem um barbudo aqui na Beard que é muito bom e também joga no competitivo de Street Fighter V… será que um dia trazemos um Campeonato de eSports para os barbudos?…pshhhhhh…é segredo tá? 😉

Brolynho é um dos jogadores mais proeminentes nos Street Fighter, um dos games em ascensão no eSports

Thomas, junto a outros jogadores fortes da cena brasileira, como Diego “DARK” Lins, Keoma Pacheco, Vitor “Tubarão” Luiz, e tantos outros, disputarão o CPT online LATAM 2, parte do circuito oficial de torneios da Capcom, a Capcom Pro Tour, com as finais disputadas em Dezembro nos Estados Unidos. Tanto Brolynho como Keoma já disputaram esse mundial, respectivamente em 2016 e 2015.

Além de Street Fighter V, outros games de luta vem alcançando a alçada de eSports, como Tekken 7 (que inclusive é o jogo com mais competidores entre os coreanos), Killer Instinct, exclusivo da Microsoft, e Guity Gear Xrd, embora este ainda esteja caminhando em terras ocidentais pela fama.

MMO

Os MMO são relativamente novos nos eSports, mas não menos fortes

Pode não parecer, mas os RPGs Online possuem suas competições nacionais e mundiais, com clãs se reunindo em disputas PvP em arenas especialmente preparadas para esse tipo de competitivo. Os MMOs andaram lado a lado com os FPS na década de 2000, e apesar de diminuírem em opções no ocidente, as comunidades são ativas o bastante para incentivar competições de alto nível, ainda que não tenham o mesmo destaque que outros gêneros.

Atualmente, os games que mais chamam atenção nos MMOs são Final Fantasy XIV, e World of Warcraft, este último com um competitivo forte e muito bem incentivado pela Blizzard, a produtora do jogo.


Entre os jogadores de destaque, temos Diogo “terock” Favero e Lucas “zip” Monteiro, ambos da equipe Turbo EOQ?! (não me pergunte o motivo desse nome para um time, nem eu sei…). Os dois, junto ao restante da comunidade, incentivam o PvP dentro do wow, justamente com esse foco competitivo, e os resultados na América do Sul no último ano são uma boa prova desse resultado.

Onde posso acompanhar essas competições?

Esports e como assistir

Acompanhar os eSports atualmente é relativamente fácil. A Twitch atualmente é a plataforma que mais centraliza as transmissões de competições nacionais e internacionais de jogos eletrônicos, mas caso queira sincronizar o seu calendário com algumas delas, aqui vão algumas sugestões.

http://www.blackdragons.com.br/, Para quem deseja ficar por dentro das competições de FPS

http://br.lolesports.com/ligas/cblol direcionado a quem curtiu as competições do MOBA mais famoso do Brasil

http://soateam.com.br/, possui várias informações sobre os jogos de luta, além de um calendário atualizado com as competições nacionais e internacionais

E aí jovem, curtiu a ideia dos games serem um esporte tão grande quanto as competições mais tradicionais? Deixe sua opinião nos comentários, bem como os jogadores e equipes que mais curte acompanhar. Até a próxima!

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